CULTURA
POPULAR E INCLUSÃO
Frei Francisco van der Poel ofm
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Segundo o teólogo Clodovis Boff: - “A formação histórica do povo brasileiro explica um traço especial, ainda que não exclusivo, da atual cultura no Brasil: - a sua forte tendência para o sincretismo. O ‘brasileirismo’ pode caracterizar-se através de uma capacidade particular pela arte combinatória, por uma arguta capacidade de misturar, de mesclar tudo, de articular o um e o múltiplo, de trabalhar com a lógica da inclusão, enfim, de privilegiar a diversidade, a variedade e a complementariedade.” (BOFF, Clodovis.Frei. Nossa Senhora e Iemanjá, Maria na cultura brasileira. Petrópolis, Vozes, 1995. p.8.) |
Apresentamos aqui alguns
pensamentos surgidos na experiência concreta da convivência com o povo.
Há quinze anos moro na antiga
Colônia Sanatório de Santa Isabel, em Betim-MG. Por isso, falo dos hansenianos
e do Coral dos Tangarás de Santa Isabel.
Antes, morei em Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha (MG). Durante dez anos, trabalhava na formação dos líderes das comunidades eclesiais de base, fundei o Coral Trovadores do Vale, e dediquei-me à Irmandade de Nossa Senhora dos Homens Pretos de Araçuaí. Quem pensa sobre a relação entre a cultura e a organização popular, se vê diante de uma realidade complexa. Para progredirmos na reflexão é necessária a boa colocação dos problemas desde o começo.

INCLUIR
“Inclusão” é um termo
recente, que tem uma história que aqui resumimos destacando os principais
conceitos usados.
Nos anos anteriores à ditadura
militar, visava-se a “conscientização” dos direitos, surgiu o Movimento da
Educação de Base(MEB) e Paulo Freire escreveu a “Pedagogia do Oprimido”. A
cultura popular, sinônimo da identidade de um povo, é considerada um elemento
básico para o desenvolvimento das comunidades e do País. Glauber Rocha e
outros artistas do Cinema Novo carregaram esta bandeira; assim como vários músicos
e escritores.
Depois da ditadura, continuam a
conscientização e a luta pelos direitos. Intelectuais e religiosos partem do
centro para a “periferia”, para viver a “inserção” em meio aos
“marginalizados”. - Enquanto na Igreja acontece a chamada “opção pelos
pobres”, valorizando-se a religiosidade popular, a teologia da “libertação”
ainda não valoriza a cultura popular. (O mesmo fazia o socialismo de Estado, na
Europa.) A irreverência do carnaval, a fartura das festas, a magia da umbanda,
a paixão pelo futebol lhes pareciam estar atrapalhando a virada revolucionária.
Articulam-se movimentos contra a “discriminação” do negro e da mulher. Aos
poucos, os “marginalizados” passam a ser chamados de “excluídos”.
Num terceiro momento, surge
maior respeito. Os “menores abandonados” são chamados de meninos e meninas
de rua, os “leprosos” insistem em ser chamados de hansenianos, a
“macumba” vira culto afro-brasileiro. Além disso, a luta anti-manicômio
visa a volta dos deficientes mentais à suas famílias e comunidades. Rampas em
prédios públicos e o acesso a próteses de boa qualidade facilitam a participação
dos deficientes físicos na vida social. Os hansenianos recebem o tratamento no
posto de saúde da suas cidades e as colônias são desativadas.
Inicia-se assim a era da “inclusão” que significa uma emancipação social, cultural e política. Na minha experiência, vejo a luta do hanseniano, que visa sua integração na sociedade, a peleja do pobre do Jequitinhonha para conseguir um nível de desenvolvimento igual às outras regiões de Minas e o sonho dos negros das Irmandades do Rosário de ver a memória da escravidão e da África e a sua experiência religiosa valorizadas nas igrejas cristãs. Tudo isso faz parte da busca de uma sociedade inclusiva. Com urgência, precisamos de uma educação inclusiva.
CULTURA POPULAR
No Vale do
Jequitinhonha(MG), registrei parte da cultura popular em 15.000 folhas
datilografadas. O material classificado em pastas mostra a vida do pobre do
levantar ao deitar e do nascer ao morrer; e inclui, o trabalho da parteira, a
vida da criança, o tempo do namoro, a religião, o amor, o lazer e a festa,
toda forma de trabalho, os perigos, a defesa contra inimigos, as doenças, a
sabedoria e a morte. Há cantos, histórias, rezas, provérbios e muitas
entrevistas. Observamos que o povo guarda suas coisas enquanto tiverem sentido
na sua vida. Para quem não é pobre, é difícil pensar a partir do pobre para
compreender o porquê da reza da espinhela caída, das simpatias e de muitos
outros assuntos. Mas uma coisa é certa: A cultura é vida. É o rico
patrimônio dos pobres.
Finalmente: A inclusão tem tudo a ver com a maneira de se entender a sociedade brasileira como um todo. Enquanto continuar a injusta distribuição de renda, enquanto houver excluídos, enquanto existir uma alienação forçada, será difícil falar de uma cultura popular que expresse a união na diversidade do povo brasileiro. Na realidade, existem a cultura da elite privilegiada, a cultura dos marginalizados, e uma terrível cultura de massa controlada pelos poderosos donos da mídia. É necessário que sejam rompidas as correntes visíveis e invisíveis do poder econômico que condicionam nosso povo. Na opinião do músico Leonardo Sá, "o caminho alternativo não é apenas uma alternativa, mas o único espaço que nos resta. É nosso espaço real que precisamos ocupar no sentido de compromisso, de engajamento."2 Do outro lado, a cultura é elemento de transformação. Isso nos permite acreditar que, através de um difícil amadurecimento social e democrático haveremos de chegar a uma cultura que é nossa.
OS HANSENIANOS DA COLÔNIA DE
SANTA ISABEL
Na antiga Colônia de Santa
Isabel e no bairro anexo Citrolândia(20.000hab.) moram cerca de 1500 pacientes
hansenianos. O hanseniano ainda é discriminado, embora estejamos convencidos
que a melhoria do tratamento paulatinamente fará desaparecer a feiura dos
doentes e o medo exagerado do contágio.3
Numa política assistencialista, durante 50 anos, o governo providenciava casas,
tratamento, alimentos, rede de água, eletricidade e esgoto, mas tornava o
doente socialmente inútil. Hoje, muitos ex-doentes e não doentes pedem esmolas
por carta dizendo “estou neste triste leprosário, sem recursos, longe dos
meus parentes, cumprindo a sorte que Deus me deu”. Isto chama-se “bater
gato”. Desta maneira eles mesmos continuam divulgando o antigo estigma do
doente confinado; e até hoje chegam em Santa Isabel as caravanas de vicentinos,
espíritas e outras boas almas distribuindo roupas, alimentos e esmolas,
principalmente na época de Natal. Boa parte dos pedintes não precisa destas
doações. Muitos tem 3 ou 4
aposentadorias com nomes diferentes. Outro tanto prefere pedir e não trabalhar.
Pois bem, nesta mesma colônia encontramos o Movimento da Reintegração dos Hansenianos(MORHAN) que faz campanhas de esclarescimento sobre os novos remédios e sobre os direitos do doente. No dia mundial do hanseniano, a entidade organiza anualmente o “Concerto contra o Preconceito”. Além disso, mantém uma rádio comunitária. O Coral dos Tangarás de Santa Isabel, fundado em 1936, ensaia 3 horas por semana, canta música popular brasileira e religiosa. Já esteve várias vezes na TV, e seus 40 músicos doentes e não doentes pretendem ser um pedaço de uma nova sociedade, na qual o doente seja respeitado e incluído. Estamos preparando a gravação de um CD. O coral, cantando fora da colônia, representa a comunidade dos doentes e mostra a dignidade do hanseniano.Outro exemplo desta representatividade está na escola de samba "Unidos de Citrolândia", que faz parte da nossa comunidade. No carnaval de 1986, ela ganhou o primeiro lugar entre as 5 escolas de samba convidadas pela Prefeitura de Betim. Imaginem o que significa para o doente, marginalizado por defeito físico, ser premiado justamente na exibição do corpo. Ora, antes do sucesso, a escola e seus ensaios não levavam boa fama. Era aquela turma barulhenta, tropa sem vergonha etc. Após a vitória, observei o povo comentando: A escola de Samba de Citrolândia ganhou! Outros diziam: Nossa escola de samba ganhou! Alguns até falaram: Nós ganhamos!
Nas pesquisas em Araçuaí(1968-1978),
tive a indispensável companhia da amiga e artesã negra Maria Lira Marques
Borges. Gravamos muitas músicas que se tornaram o repertório do coral Trovadores do Vale. Os membros do coral são pobres,
cantam músicas frequentemente gravadas com seus próprios pais. Nos anos de
convivência com o grupo, vi como é difícil fazer a turma acreditar que suas músicas
têm valor. É que na cidade existe um conceito de cultura que provoca no povo
pobre um sentimento de inferioridade. Concretamente, fizemos uma cantoria em São
Paulo. Ao verem a dança dos batuques locais aparecer na TV, algumas pessoas da
alta sociedade de Araçuaí(se é que existe isso por lá) comentaram: - “Isto
é só para mostrar como Araçuaí é atrasada.”
Para vencer isto dentro do coral, tivemos o apoio dos estudantes do
Campus Avançado(PUC.MG/ABC Paulista) que frequentavam os ensaios com
entusiasmo. O coral cantou no Programa Som-Brasil e hospedou-se no Othon Palace
Hotel, em São Paulo. Em 1983, ganhou o prêmio Entidade Cultural do Estado pelo
Conselho Estadual de Cultura. Gravamos um LP, etc, etc,.
Aos poucos aprendi que ajudar o povo é, em primeiro lugar, dar valor
àquilo que ele já tem. Isso tentamos colocar em prática. Ninguém no
Coral entende a escrita musical. Mas nós apresentamos as músicas do mesmo
jeito que o povo nos ensinou. Para
cantar folia, dançar batuque, brincar de roda, nunca foi preciso conhecer a
teoria musical dos conservatórios. O Coral tem um conselho eleito de seis
pessoas que se mostrou capaz de enfrentar qualquer problema do grupo. A secretária
faz a crônica dos Trovadores há 30 anos. É o pobre escrevendo a sua própria
história. Há 23 anos saí de Araçuaí, mas vejo o grupo caminhando com as próprias
pernas. Também, pudera, nunca fiz coisas que eles não pudessem fazer.
A Irmandade de Nossa Senhora
do Rosário dos Homens Pretos de Araçuaí estava em vias de extinção. Tanto a
Irmandade, como o grupo dos tamborzeiros estavam sem estímulo e sem liderança
expressiva. Em 1977, descobri por acaso o documento da fundação da Irmandade
datado em 1879. Por isso, juntei tudo o que nas pesquisas registramos sobre a
cultura negra: documentos de venda de escravos na região, retratos e descrição
da festa do rosário, lista cronológica de reis e rainhas, costumes dos
tamborzeiros, a triste história dos conflitos entre Igreja e Irmandade etc., a
fim de publicar um livro de 318 páginas para comemorarmos o centenário da
Irmandade. O próprio documento da fundação da Irmandade mandei encadernar em
couro e ouro para entregá-lo publicamente aos irmãos no dia da festa. A partir
daquele momento, a Irmandade começou a reviver. Os Homens Pretos, vendo
valorizadas a sua história e sua
cultura, descobriram-se a si mesmos. Comparo isso com o que disse Eduardo
Galeano, falando dos 500 anos da chamada 'descoberta da América Latina':
"Parece-me porém evidente que a América não foi descoberta em 1492, do
mesmo modo que as legiões romanas não descobriram a Espanha quando a invadiram
no ano 218 A.C. E também me parece de
cristalina evidência que está em
tempo de a América descobrir-se a si mesma. (...) A história oficial com seu
elitismo e racismo desfigura o passado. Para que ignoremos o que podemos ser,
ocultam-nos e mentem-nos o que temos sido".4
Fato é que a Irmandade do Rosário recentemente festejou o Centenário da Abolição(1988)
com uma participação popular e
uma consciência negra vigorosa
antes inimagináveis em Araçuaí. É o negro, ele mesmo, valorizando a sua
cultura. O antropólogo Carlos Rodrigues Brandão, analisando 100 questionários
com 28 perguntas respondidas por negros de Araçuaí há 11 anos, chama a atenção
pelo fato de que a consciência de valor próprio e o conhecimento da história
e da cultura estão mais fortes entre os negros organizados nos terreiros de
umbanda e na Irmandade de Nossa Senhora do Rosário daquela cidade.
CONSIDERAÇÕES FINAIS Palhaço
surdo-mudo, no encontro de
Folias de Reis. Domingo, 21 de
abril de 2002 São Joaquim de
Bicas MG.
Reforçamos
a pluralidade da cultura popular e a necessidade da união na diversidade. A
inclusão significa: participar.
O hanseniano integrado na sociedade não
vai deixar de ser hanseniano, nem para si, nem para a sociedade.
Em
muitos doentes, a exclusão prejudicou o equilíbrio emocional. Criou
agressividade e carência. Encontramos hansenianos que optam pela autodiscriminação.
A participação do deficiente também é ameaçada pelo assistencialismo que
cria e mantém dependência. Não é fácil chegar a uma sociedade inclusiva.
Também
na própria sociedade encontramos problemas. Em Santa Isabel, observamos que
muitos benfeitores carismáticos em seu discurso colocam a solução dos
problemas no céu, e que os espíritas colocam a causa do sofrimento do
hanseniano no passado, numa outra vida, fazendo caridade para tornar-se um espírito
de luz; mas não entregam seus privilégios, sendo extremamente conservadores
social e políticamente. É preciso que pobres e deficientes lutem pela mudança
da sociedade.
A
cultura popular é vida, é dinâmica. Mas seu desenvolvimento não é um
processo neutro. A história e a cultura de pobres e deficientes são pouco
conhecidas na educação formal. Além disso, a massificação, a globalização,
os meios de comunicação controlados por grupos interesseiros ameaçam a
sobrevivência desta cultura.
Na
cultura popular, a resistência poucas vezes é explícita: [tocar violão]
-
Palmatória quebra dedo/ chicote deixa
vergão/ Cassetete quebra costela/ mas não quebra opinião.//(Verso de
roda)
-
O dinheiro de São Paulo/ é dinheiro
excomungado/ Foi o dinheiro de São Paulo/ que levou meu namorado.//(Roda)
-
Esses pretos se soubessem/ a força que o
negro tem,/ não atoleravam/ cativeiro de ninguém.//(Congado)
-
Os filhos dos ricos/ em berço dourado/ e
Vós meu Menino,/ em palha deitado.//(Bendito de Natal)
Mais
comum é a resistência implícita que está no própria fato da cultura
existir. Explico melhor:
Enquanto
as farmácias estão cheias de remédios sintéticos, a medicina popular
continua usando as plantas medicinais. Enquanto o radio toca musica em inglês,
continua o samba de roda, a catira, o beira-mar, o acalanto em português.
Enquanto as lojas estão cheias de vasilhames de alumínio e de plástico,
subsiste o uso de panelas de pedra e butijas de barro.
Muito falamos da história.
Escrever a história é uma questão política. A historiografia moderna conta a
história do povo e não apenas de uma elite vitoriosa. O primeiro trabalho de
promoção de uma comunidade ou grupo é escrever a sua história.
E para terminar,
solidarizando-me à fé dos pobres do Jequitinhonha e dos doentes de Santa
Isabel, digo: “Vamos gente! O pouco com Deus é muito!” NOTAS: 1)
Existe diversas culturas brasileiras. Segundo Alfredo Bosi, "estamos
acostumados a falar em cultura brasileira, assim, no singular, como se existisse
uma unidade prévia que aglutinasse todas as manifestações materiais e
espirituais do povo brasileiro. Mas é claro que uma tal unidade ou uniformidade
parece não existir em sociedade moderna alguma e, menos ainda, em uma sociedade
de classes".( BOSI, Alfredo. Dialética
da Colonização. São Paulo, Comp.das Letras, 1987. p.308.) 2)
Boletim do Centro Latino-Americano de Criação e Difusão Musical.
No1. 1988. Belo Horizonte. p.9. 3)
Excelente análise destes preconceitos encontramos em: Abreu, Eduardo.
Dr. Hanseniase,um estigma através da história. Betim, l984
(manuscrito). 4)
Galeano, Eduardo. “O
Jaguar Justiceiro”. In: Sem
Fronteiras. Março l989. Páginas 28 e 30. 5)
Marques, Maria Lira Borges. Gontijo,
Altina Maria. Poel, Francisco van der. Brandão, Carlos Rodrigues. Ser Negra
No Vale. São Paulo/Araçuaí. l989. (manuscrito) - pág. 92.
OS POBRES
DO JEQUITINHONHA

BIBLIOGRAFIA:
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VALLE, Edênio e QUEIROZ, José J.(Org.) A Cultura do Povo. (3ªEd.) São Paulo, Cortez, 1981. 144 págs. (Coleção do Instituto de Estudos Especiais Nº1)
BRANDÃO, Carlos Rodrigues.(Org.) Pesquisa Participante. (3ªEd.) São Paulo, Brasiliense, 1983. 212 págs.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. (8ªEd.) Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1980. 218 págs. (Coleção O Mundo Hoje. Vol.21.)
MAURÍCIO, Ivan. Arte Popular e Dominação. (O caso de Pernambuco: 1961-1977). Recife, Ed.Alternativa, 1978. 108 págs.
MINAS GERAIS. Univ.Católica. Arte Popular na Periferia de Belo Horizonte. Belo Horizonte, UCMG, 1981. 116 págs.
ARANTES, Antônio Augusto. O Que É Cultura Popular. (3ªEd.) São Paulo, Brasiliense, 1982. 84 págs. (Coleção Primeiros Passos. Nº36.)
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O Que é Folclore. São Paulo, Brasiliense, 1982. 112 págs. (Coleção Primeiros Passos. Nº60)
CHAUI, Marilena. Conformismo e Resistência, aspectos da Cultura Popular no Brasil. São Paulo, Brasiliense, 1986. 180 págs.
POEL, Francisco van der. O Rosário dos Homens Pretos. Edição comemorativa do Centenário da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de Araçuaí. Belo Horizonte, Imprensa Oficial, 1981. 318 págs.
POEL, Francisco van der. Os Homens da Dança. Religiosidade Popular e Catequese. São Paulo, Ed.Paulinas, 1986. 56 págs.