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O mesmo que
função, brinquedo, festejo (MA).
A festa popular acontece na
comunidade e com alegria. Pode ser organizada, mas há gratuidade,
é contagiante e tem sentido escatológico. Quer dizer, celebra uma
infinita esperança no futuro e mostra a relatividade das coisas. Nos eleva e
mostra algo maior do que nós. Diz um verso goiano: Esta festa não se acaba/
esta festa não tem fim./ Se esta festa acabar, ai meu Deus,/ o que será de mim.//
Num dia de festa, espontaneamente são feitas coisas que em outros dias
não se faz: dança, vestir roupa bonita, convidar parentes e amigos,
soltar foguetes, comer com fartura. É preciso querer a festa. Dizem: O
melhor da festa é esperar por ela.
Anotamos um depoimento popular de Nova Era
(MG): Agüentar, a gente agüenta. Porque a vida não é só sofrer não senhora.
A gente adoece e sara; é pequeno, depois fica grande; uns estão morrendo, mas
têm outros que ‘tão nascendo. Têm as horas de alegria também. Igual quando
nasce um fio, as plantação dá certo, tem festa de congado...
E, Geraldo Vandré canta: Hoje é dia de festa/ todos vão se encontrar./
Toda dor, todo pranto/ hoje vão se acabar.//
Várias festas populares coincidem com a abundância das colheitas.
A festa popular cria e mantém tradições.
Pedro Bandeira diz: As festas do meu sertão/ é reisado e vaquejada,/ é
dibuia do feijão,/ adjunto, agrupamento.//
Tudo o que foi dito acima, também vale da festa religiosa. O carnaval
e as festas juninas são festas católicas.
No congado em Nova Lima (MG), diz o canto de
uma embaixada:
Oi meus caros varsais/ que povo é aquele/ que vem entrando/
para o reino adentro,/ sem cumprir minha licença?// Se for povo bom de guerra,/
dê um grito de guerra e mais guerra./ Se for povo bom de festa,/ dê o grito de
festa e mais festa.// ô patrão, é o povo do Rosário,/ joelho dobrado e
calcanhar desconjuntado/ que vem festejar o rosário de Maria.// Hoje é dia
dela?/ É sim senhor./ Hoje é dia dela?/ É sim senhor.//
Segundo um preconceito do velho socialismo, “a festa popular é
fuga”. Mas parece que o contrário é verdade: quanto mais opressão e pobreza,
tanto mais festa (liberdade celebrada). Para o pobre, a festa é o único dia
certo do ano. Este não pode faltar. É um momento de esperança. A boa comida, a
roupa bonita, a união de todos permitem acreditar que o mundo presente pode
mudar.
Mais sobre o assunto: TINHORÃO, José Ramos. As
Festas no Brasil Colonial. São Paulo, Ed. 34, 2000. JANES, István; e
KANTOR, Iris. Festa, Cultura e Sociabilidade na América Portuguesa. (2
vol.) São Paulo, Hucitec/USP/FAPESP/Impr.Oficial, 2001.
1. GOMES, Núbia Pereira Magalhães. e PEREIRA,
Edimilson de Almeida. Mundo Encaixado: significação da cultura popular.
Belo Horizonte, Mazza; Luiz de Fora: UFJF, 1992. p.VII.
2. BANDEIRA, Pedro. O Sertão e viola. Folheto.
p.75. 3.
DINIZ, Domingos (Coord. e texto). Manifestações
Folclóricas no Município de Nova Lima. Nova Lima, Pref.Municipal, 2000.
pp.133-134.
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