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LIVRO DE SÃO CIPRIANO As diversas edições da obra se apresentam como "Grande e Verdadeiro"; "Único Completo"; "Autêntico"; "De Capa Preta"; "Capa de Aço". Todas explicam que São Cipriano, o feiticeiro de Antioquia não é o mesmo que o celebre bispo de Cartago. Todas tem "instruções aos religiosos que vão tratar de uma moléstia"; tem esconjurações e exorcismos; certa lista de 174 tesouros da Galiza; a Oração do Anjo Custódio; 50 mistérios da feitiçaria do tempo dos mouros(inclusive remédios); tesouro de mágicas(ex.: maneira de obter um diabinho tomando pacto com o demônio; mágica preta para desmanchar um casamento; a caveira iluminada com velas de sebo para fazer mal a qualquer pessoa); quase todos tem tratado de cartomancia; explicam os poderes ocultos do ódio e do amor; os poderes ocultos do magnetismo; tem algumas orações queridas na religiosidade popular(Magnificat, Cruz de São Bento, Sonho de Nossa Senhora, Amabilíssimo Sr.Jesus Cristo, Oração para assistir aos enfermos na hora da morte) e a horrorosa oração da Cabra Preta; etc etc. Em 1976, a Editora Eco, no Rio de Janeiro, o apresenta assim: "Verdadeiro tratado
das artes O livro certamente nos veio da Europa. Em Portugal encontramos um "Livro de São Cipriano, tirado d'um manuscrito. Feito pelo mesmo Santo, que ensina a desencantar todos os encantos feitos pelos mouros neste Reino de Portugal, e também indicando o lugar onde se encontrão. Mandado publicar por Pereira e Silva. Porto: Typographia de D.Antônio Moldes, Largo da Batalha No 41 - 1849."(Na revista O Archeologo Portugues. Vol.XXIII. Lisboa, Imprensa Nacional, 1918. p.223.) É livro muito conhecido e temido, e não podemos negar que este e outros livros de bruxaria fazem parte da cultura popular, tão ambivalente quanto a cultura oficial. Importante é perceber que, dentro da própria cultura popular, o Livro de São Cipriano é considerado um elemento negativo. Muitos consideram ser pecado possuí-lo ou até mesmo tocá-lo. Alguns donos do livro o guardam acorrentado dentro de uma caixa. Na opinião de muitos, "quem usa este livro fica atrasado". Outros dizem: "Não se queira alcançar pelo diabo as graças que Deus não nos dá." Algumas edições: "O Verdadeiro Grande Livro de S.Cipriano"(ou: Thesouro do Feiticeiro). Rio de Janeiro, Livr.Quaresma.Ed., 1926. - Tavares, Possidônio: "O Verdadeiro Livro de São Cipriano". Rio de Janeiro/Paris, Livr.Garnier, Sem Data. - "O Antigo e Verdadeiro Livro Gigante de São Cipriano". Rio de Janeiro, Ed.Eco, Sem Data. - O "Genuino Livro de São Cipriano". São Paulo, Ed.e Publ.Brasil Ed., Sem Data. - Mammoloh, N'Guma. Prof.: "São Cipriano, o Grande e Legítimo Livro Vermelho e Negro de S.Cipriano". São Paulo, Gepê Ed., Sem Data. - "Livro Encarnado de São Cipriano"(Rio de Janeiro, Ed.Pallas S.A., s.d.). - Muito diferentes são: "O Livro de São Cipriano". Editora Três, 1986. - Motososchry(Compilador): "O Verdadeiro Livro de São Cypriano". São Paulo, Ed.Popular, Sem Data.(Contêm: necromancia, magnetismo, cartomancia, quiromancia, revelação dos sonhos). Com incontáveis edições populares em larga escala no Brasil e na América Latina, o
Livro de São Cipriano seria, segundo Jerusa Pires Ferreira , uma legenda de massa que
atenderia a uma cultura das bordas, ou seja, aquilo que fica numa faixa de transição
entre o centro e as pontas, isto é, as culturas chamadas de altas e as de fonte
agropastoril, rural. Os textos editados do Livro de São Cipriano tem partes móveis e
partes fixas, adaptando-se ao mundo da sociedade industrial, onde tem vasto público na
periferia das grandes cidades. Hoje seria quase um almanaque de saberes: teria a ver com a
inquisição, livros de magia e feitiçarias européias, o mito do Fausto tentado pelo
demônio, a tradição sagrada da Igreja Católica medieval, aqui encampada pela umbanda,
antigos cancioneiros populares, problemas das cidades grandes, Mais informações na "Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira". Vol.VI. Lisboa, 1960. Verbete: Cipriano. p.827ss. E no livro: "S.Cipriano, Tesouro da Mágica"(1875), de Joaquim José Simões. Nota: Se o amigo visitante do nosso site souber de uma edição mais antiga do que a portuguesa de 1849, conte-nos por favor! |